terça-feira, 28 de outubro de 2008

Na imprensa: Lisboa: cidadãos contra alargamento do terminal de Alcântara

28.10.2008, in Público - 10h14 José António Cerejo

A contestação do projecto de alargamento do terminal de contentores de Alcântara arrancou baixinho, quase a medo, mas está a crescer semana a semana. Ontem foi lançado um movimento de cidadãos que já pôs a correr uma petição sob o lema "Lisboa é das pessoas, mais contentores não!".

Depois de uma primeira fase em que provocou estupefacção por ser projectada à revelia da Câmara de Lisboa, a obra começou a ser posta em causa pelos mais directos prejudicados: os donos dos bares e restaurantes da zona das docas, que empregam 700 pessoas e poderão ter de fechar as portas. A seguir veio uma onda de indignação causada pela notícia de que a principal beneficiária do projecto governamental era a Liscont, uma empresa do grupo Mota/Engil, de que o socialista Jorge Coelho se tornou presidente há alguns meses.

Nas últimas semanas, o PSD e o movimento Cidadãos por Lisboa, da vereadora Helena Roseta, assumiram a dianteira no combate político ao projecto, a que se tem associado a Junta de Freguesia de Alcântara (PCP) e vários comentadores, com destaque para Miguel Sousa Tavares.

Ontem, ao fim do dia, uma plateia de personalidades de diferentes áreas e proveniência políticas deu o pontapé de saída de um movimento que pretende barrar o caminho à contentorização da zona de Alcântara - do mesmo modo que há 15 anos um outro movimento impediu a urbanização de vastas áreas da zona ribeirinha. Gonçalo Ribeiro Telles, Miguel Sousa Tavares, Frederico Collares Pereira (presidente da Associação dos Concessionários da Doca de Santo Amaro), Luís Rodrigues (deputado do PSD), Helena Roseta, Fernando Nobre (presidente da AMI), Rui Veloso e Carlos do Carmo foram alguns dos que compareceram num dos restaurantes das docas para apoiar a iniciativa e a petição que já está na Internet (http://www.gopetition.com/online/22835.html).

A ampliação da capacidade do terminal, começa por dizer o texto dirigido ao presidente da Assembleia da República, "vai implicar a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre Lisboa e o rio Tejo". Os autores sustentam que a prorrogação por 27 anos da concessão do terminal à Liscont e a "triplicação" da sua capacidade, conforme previsto no Decreto 188/2008, de 23 de Setembro, afigura-se "completamente incompreensível, desnecessária, e inaceitável para mais sem concurso público".

O texto, que termina com o pedido de revogação daquele decreto, invoca um relatório do Tribunal de Contas, de Setembro de 2007, para defender que o porto de Lisboa "apresenta desafogadas capacidades instaladas e disponíveis, para fazer face a eventuais crescimentos do movimento de contentores".

Alertar os lisboetas

"O nosso objectivo é alertar as consciências dos munícipes para as implicações da ampliação do terminal", afirma Frederico Collares Pereira, representante dos proprietários dos bares e restaurantes da doca de Santo Amaro.

De acordo com o empresário, uma das consequências mais imediatas e graves do projecto está no facto de a zona das docas, "um dos únicos locais em que há maneira de chegar ao rio", ter de fechar para obras durante seis a oito anos.

"Estamos a tentar perceber desde Abril o que é que vai acontecer em concreto, mas ninguém nos diz nada." Collares Pereira, todavia, não tem dúvidas sobre uma coisa: "Os parques de estacionamento que nos rodeiam vão ser transformados em estaleiros de obras durante todo esse tempo."

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