Uma América mais multitlateral, mas imersa na incerteza - esta é a percepção sobre a forma como o próximo presidente dos EUA irá actuar perante a crise financeira e do overstretching militar imperialista sobre o Iraque. Em suma, esta foi a nota dominante no debate sobre as eleições americanas, organizadas pela secção de Alcântara, no passado dia 8 de Outubro, no qual estiveram presentes cerca de 50 pessoas.
«Seja Obama ou McCain, o próximo presidente americano terá necessariamente de optar pelo multilateralismo - mas a forma que este irá adoptar é uma incógnita», afirma Anselmo Rodrigues, Juíz jubilado e Presidente da Mesa A.G. da Secção, um dos oradores do evento. «Provavelmente será na ONU, mas a NATO também precisa de ser reformada - a parceria reforçada entre os EUA e a UE precisa de ir além da dimensão militar», sublinha.
Neste plano, Rui Paulo Figueiredo, Presidente do Conselho Directivo do Instituto Transatlântico Democrático, outro dos oradores do debate, reitera que poderá se forjar uma verdadeira parceria entre a UE e os EUA nas áreas do ambiente e da energia. «Depois de resolvida a questão da crise financeira, será necessário redinamizar a economia. Nestas áreas estão a emergir tecnologias que irão mudar o paradigma industrial e que irão desvelar novas oportunidades de crescimento económico», argumenta.
Ainda no que respeita à questão crise financeira, Anselmo Rodrigues frisa que este é o resultado do processo do Consenso de Washington, que tinha como objectivo «transformar uma economia de mercado numa sociedade de mercado». Esta foi a receita dos Chicago Boys, que redundou na globalização do capitalismo financeiro sem regulação, «criando o actual desfasamento no leque salarial, e entre a economia real e a economia virtual da grande finança».
Quatro a cinco anos é o período avançado por Rui Paulo Figueiredo para a economia global sair da recessão global que se avizinha. «Vamos viver tempos de marasmo económico que irão colocar grandes desafios sociais», alerta.
Quanto ao desfecho das eleições, José Reis Santos, investigador-coordenador do PES Activists Portugal, refere que estas serão ganhas por Barack Obama. «As últimas sondagens mostram uma forte tendência inflexão de voto para Obama em muitos dos Estados críticos para a vitória eleitoral. Mas a luta será renhida até ao fim», remata.
1 comentário:
E mais devem vir a seguir! Pela participação vê-se que as pessoas estão seqquiosas do debate politico!
Um abraço
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